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Ceará encerra 2021 com chuvas abaixo da média e reservatórios em níveis críticos


 Ovolume de chuvas registrado em 2021 no Ceará ficou 12,7% abaixo da normal climatológica prevista para o ano. É o que mostram os dados da plataforma Calendário de Chuvas, gerenciada pela da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). No total, as oito macrorregiões do Estado atingiram média de 698 milímetros (mm), considerando o intervalo de doze meses. O volume de precipitações aguardado para o período era de 800 mm.

No recorte por divisão territorial, apenas o Cariri encerrou o ano com chuvas acima da média. A plataforma indica que o acumulado de eventos pluviométricos na região ao longo de 2021 foi de aproximadamente 976 mm, ante a 904 mm previstos, perfazendo um desvio positivo de 8%. Na outra ponta, o Litoral do Pecém teve precipitações pelo menos 25% abaixo do esperado, proporcionalmente o menor volume entre todas as regiões cearenses.

A Funceme ressalta que os números são parciais e ainda podem sofrer alterações até a consolidação do balanço anual, previsto para ser divulgado na segunda quinzena de janeiro. A instituição também deve anunciar, ainda este mês, os prognósticos para a quadra chuvosa, que se estende de fevereiro a maio. Nas projeções do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), durante o período o Ceará tem até 80% de chances de registrar chuvas acima da média.

As previsões otimistas levam em conta as chances de predomínio da La Niña, que tradicionalmente exerce influência direta sobre os níveis de precipitações no Ceará. O fenômeno climático provoca alta na velocidade dos ventos alísios [massas de ar quente e úmido], entre o centro e o leste do Oceano Pacífico, causando o resfriamento das águas e impactando positivamente nos níveis de pluviometria em diversos países. No Brasil, quanto maior a intensidade da La Niña, mais chuvas são registradas no Nordeste e em parte da Amazônia.

A esperança de um 2022 chuvoso foi renovada logo no primeiro fim de semana do ano. O Ceará registra precipitações em todas as regiões do Estado desde o último sábado, 1º. Segundo a Funceme, entre o último dia de 2021 e a primeira segunda-feira, 3, do ano, foram observadas precipitações em pelo menos 116 municípios.

Em relação à previsão para os próximos dias, o meteorologista da Funceme Vinícius Oliveira destaca que as condições climatológicas seguem favoráveis para o registro de mais precipitações em todas as macrorregiões do Estado pelo menos até esta quarta-feira, 5. “Isso ocorre devido à formação de áreas de instabilidade, bem como em razão de efeitos locais, como temperatura, relevo e umidade”, explica o especialista. Ele ainda acrescenta que, nas regiões central, sul e oeste do Estado, as chuvas tendem a ocorrer ao longo do dia, enquanto que na faixa litorânea elas são esperadas principalmente durante a madrugada, manhã ou no período da noite.

Reservatórios em situação preocupante

As chuvas que trazem esperança ao cearense nos primeiros dias do ano também representam um alívio para os reservatórios hídricos do Estado, que começam 2022 em situação crítica. Segundo dados do Portal Hidrológico do Ceará extraídos nesta segunda-feira, 3, dos 78 açudes monitorados, em 77 o volume de água armazenado estava abaixo de 30% da capacidade total. O ponto fora da curva é o açude dos Caldeirões, em Saboeiro, onde o volume armazenado chega a 90,45%.

Na média geral, que considera a recarga hídrica de todos os reservatórios analisados, o índice gira em torno de 20%. Há exatamente um ano, o quadro era ligeiramente melhor (24,6%). Mesmo diante do cenário de escassez, a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) descarta a possibilidade de eventual desabastecimento hídrico nos municípios cearenses.

A queda constante nos níveis de armazenamento de água é ainda mais expressiva nos maiores açudes do Estado. No Castanhão, a recarga atual é de apenas 8,14%. Com capacidade para armazenar até 973 mil metros cúbicos (m³) de água, o reservatório é o maior do Ceará.

Depois vem o açude de Banabuiú, onde o volume é de 8,20%. O reservatório pode acumular até 217 mil m³. Já no açude de Orós, o terceiro maior do Estado, a situação é um pouco mais confortável, com volume de 22,49%. Quando o nível de armazenamento está abaixo de 30%, os reservatórios são classificados em “estado de alerta” pelo painel da Cogerh.

Fonte: O Povo

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